8. Externalismo, justificação e verdade

Hilan Bensusan - Universidade de Brasília (UnB)

hilanb@unb.br

 

O trabalho procura discutir algumas questões que conectam externalismo e uma adequada maneira de pensar sobre a verdade e o que fazemos quando tomamos uma crença como sendo verdadeira. O externalismo epistemológico parece ser uma tese que é encorajada pelo externalismo em semântica. Tim Williamson, por exemplo, sustenta que se o conteúdo das crenças só pode ser determinado pelo mundo, o conteúdo do conhecimento também só pode ser determinado pelo mundo. Filósofos como Boghossian vem apresentando teses que também conectam os dois externalismos. No entanto, parece que um externalismo semântico é compatível com algumas formas de internalismo epistemológico e de externalismo epistemológico limitado. Brandom, por exemplo, defende um confiabilismo não-naturalista que requer que alguém saiba que eu sou confiável para que eu me possa ser atribuído algum conhecimento. Uma alternativa que eu defendi recentemente com base no trabalho de Oliver Black é que um internalismo epistemológico pode ser melhor sustentado frente aos argumentos externalistas se admitirmos cadeias infinitas de justificação. Gostaria aqui de analisar a questão em termos de uma discussão sobre a verdade. Quando tomamos uma crença c como sendo verdadeira, estamos também tomando a crença de que c é verdadeira como verdadeira e assim por diante. Parece que a condição material de adequação para a verdade proposta por Tarski impede que interrompamos esta seqüência em algum lugar. Se é assim, parece que tomar uma

crença como verdadeira (e portanto acreditar nela) requer que tomemos uma seqüência infinita de crenças como verdadeiras. Gostaria de investigar as implicações disto para a defesa de um internalismo em epistemologia que faça uso de cadeias infinitas de justificação.  Por outro lado, o externalismo semântico parece ter conseqüências para a maneira como pensamos na verdade. Em particular, a idéia de adequação a fatos alheios aos meus pensamentos terá que ser repensada. Uma posição externalista em semântica, mesmo combinada com um internalismo em epistemologia, parece sugerir que verdades devem estar presentes para que haja vida mental. Gostaria de terminar examinando se esta conclusão Davidsoniana (uma vez Thomas Nagel atribuiu a Davidson esta variação do Cogito: je pense donc je sais) é compulsória se admitimos o externalismo em semântica.

 

Professor da Universidade de Brasília

Doutor pela Universidade de Bristol -2001 – Inteligência Artificial

 

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